17 de outubro de 2010

Brasília


As muitas vezes que estou como mera transeunte pelas ruas do país trazem muita riqueza aos meus dias.

O simples caminhar de uma criança tentando não pisar as linhas rejuntandas do piso, a mão segura e carinhosa que a gestante leva ao ventre, os dreads coloridos e esvoaçantes da moça no ponto de ônibus, os casais que namoram descalços no gramado do parque, os que olham, a fascinação dos moleques vigiando suas pipas, os i pods e mps algo que embalam o particular coletivo do asfalto, a latinha que desfaz possíveis craques, os coloridos, os pálidos, os amarelos.

Os skatistas que rodopiam ao redor dos bancos, ignorando a gravidade.

Os playboys na lancha rotineira de domingo, os pescadores a beira do lago,as bailarinas atravessando a faixa, os garis sambando ainda ä luz da lua.

O rebolado comum a nós brasileiras, a tensão engravatada do executivo, o olhar confiante da garotinha que segura a mão do pai, os longos e belos cabelos das protestantes, os escapulários das castólicas, o penteado impecável dos mormons, o véu das mulçumanas.

O cambalear do mendigo, a esperança do palhaço no semáforo, o atrasado ao volante, a empregada equilibrando sacolas, os que fumam, os que atravessam, os que entram no coletivo pra vender doces e sonhos.

As burguesinhas de motorista, as estudantes correndo do temporal com os cadernos sobre os cabelos, os ciclistas tentando, os motoqueiros conseguindo, a polícia achando.

O fotógrafo clicando a moça que ri escandalosa e verdadeira no fim de tarde.

O gordinho que se delicia com o churro, a magrela que se denuncia ao negar tudo.

Essas coisas tão diárias refletem uma realidade.

Da capital que as vezes não capita a verdade dos que a desenham diariamente.

A perfeição estética de uma cidade que gera imperfeição ética.

11 comentários:

Walisson Lopes Barreto disse...

Não posso deixar de me identificar com as imagens próprias de seu texto. Seu olhar é pontual, único, o simples elevado ao eterno. Estou aí, aí nesta linda, jovem, própria, única, errante e divina Brasília. Eu amo esta cidade... Excelente declaração, a mim emocionou demais.

Excelente foto e composição que fizeste da cidade... teus olhos foram os meus por um instante...

Lindo texto.

Beijos...

Fernando disse...

Poucas pessoas sabem usar as palavras com a sabedoria que vc sabe, MUITO bom.

Ailton Alvez disse...

Ótimo texto... ela é boa nisso! Salvando minha segunda feira do mau humor! hehe

Nina Moraes disse...

Não é a tôa que na facu agente chamava-a de GÊNIA meu people. Rô eu achei uma fita sua do Nirvana vou te entregar amanhã bijinho

Paola disse...

Toda vez que leio um texto seu me lembro de como é bom olhar essa cidade, essa gente esse lugarzinho tão paralelo hehe um beijo saudoso amiga

Digão disse...

Me deu até vontade de sair na rua apreciando a vida. Vc é afrodisíaca!

Diego disse...

Uma foto sua seria mais apropriada.

Anônimo disse...

to sentindo sua falta

Isa disse...

Que drads mais lindinhos e modernos, curti o texto e a foto saudade de te ver amiga é difícil ter você perto sinto falta da época da pós! beijo

Tamires disse...

A magrela sou eu né? hauhauhauhauahuahuhuhauh te adoro gata sexy! beijinhos miga

Vitor disse...

Achei muito real, parece demais com o que a gente vê na cidade todo dia; muito legal mas falando sério; vc vai no churras na casa da Marina né? Nem vem com essa de nao tem tempo em , queo te ver lá com a galera garota :)))
Até lá